Num desligado desprender de rotina, quando procurava no mundo por ti, agarrado ao destino, encontrei-te.
Num infinito de dias, de minutos e de horas econtrei-te, encontraste-me. Num momento preciso. Num local preciso.
E prendemo-nos. A uma possibilidade, a uma cumplicidade.
Amarrado espero por aquela pálida manhã de Fevereiro com aquela neblina matinal. Vão parecer séculos. É sempre assim, apesar de não o mostrarem nos filmes, quando se espera pelo barco em que vens, em que vem a pessoa de alguém, esse alguém espera, e ansioso fica a ver o barco chegar, atracar, e a neblina com o tempo desaparece e fica um belo dia de Fevereiro. E enquanto os turistas saem e se perdem por Lisboa, sais também. E é estranho.
Tão estranho. Abraçamo-nos. Já sabemos o que existe, esse dia. O nosso belo dia em Fevereiro.
E nunca o sol brilhou tanto em Fevereiro e nunca a chuva caiu tão forte. Nunca a Praça do Comércio esteve tão amarela, nunca sorri tanto, nunca esqueci tanto o mundo.
O dia de Fevereiro precederá o dia seguinte, num outro mês. Nesse mês a Praça do Comércio não estará tão amarela, será mais estranho que em Fevereiro. Precisará cair mais chuva e fazer mais sol. Arriscaremos mais. Mas, e se nos decidirmos em Fevereiro? Se assim for a praça manterá a cor, mas nos entre-dias ficarei atracado num porto Lisboeta, de sonhos e de fado.
Falta tanto para se acabarem os dias.
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
Clavícula esquerda
Na tua estatura rígida e fria, angulosa e esguia, cravei os meus dedos, fechando os olhos na tua clavícula esquerda.
Quando saímos do táxi, caminhando lentamente para a porta do prédio, refugiei-me num cigarro, adiando a despedida, criando espaço entre nós.
Pensando em como tornar o momento curto, eficaz, suave. Sonhando que podia ignorar, fingir que o amanhã era apenas isso, um sábado como os outros.
Enquanto fumava puxas-me para ti, enquanto falavas e dizias, que dizias tu, a minha cabeça cheia daquele momento pouco deixou ouvir e nada assimilou.
Do que ficou, sei, foi um pedido para que me deixasses acabar o cigarro, mas puxas-me de novo e dizes para me chegar.
A minha tentativa falhada de tornar tudo em algo curto, um mar numa nuvem!
Falhei - quando te senti - a estatura rígida e fria, angulosa e esguia, cravei os meus dedos, fechando os olhos na tua clavícula esquerda.
E ali ficámos até eu me conseguir separar, colocar uma distância - as palavras foram-se na minha cabeça demasiado cheia de tudo o resto para as reter, reter como não me largaste.
See ya.
Quando saímos do táxi, caminhando lentamente para a porta do prédio, refugiei-me num cigarro, adiando a despedida, criando espaço entre nós.
Pensando em como tornar o momento curto, eficaz, suave. Sonhando que podia ignorar, fingir que o amanhã era apenas isso, um sábado como os outros.
Enquanto fumava puxas-me para ti, enquanto falavas e dizias, que dizias tu, a minha cabeça cheia daquele momento pouco deixou ouvir e nada assimilou.
Do que ficou, sei, foi um pedido para que me deixasses acabar o cigarro, mas puxas-me de novo e dizes para me chegar.
A minha tentativa falhada de tornar tudo em algo curto, um mar numa nuvem!
Falhei - quando te senti - a estatura rígida e fria, angulosa e esguia, cravei os meus dedos, fechando os olhos na tua clavícula esquerda.
E ali ficámos até eu me conseguir separar, colocar uma distância - as palavras foram-se na minha cabeça demasiado cheia de tudo o resto para as reter, reter como não me largaste.
See ya.
terça-feira, 17 de julho de 2012
Andava a lua nos céus
Andava a lua nos céus
Com o seu bando de estrelas
Na minha alcova
Ardiam velas
Em candelabros de bronzePelo chão em desalinho
Os veludos pareciam
Ondas de sangue e ondas de vinho
Ele, olhava-me cismando;
E eu,
Plácidamente, fumava,
Vendo a lua branca e nua
Que pelos céus caminhava.
Plácidamente, fumava,
Vendo a lua branca e nua
Que pelos céus caminhava.
Aproximou-se; e em delírio
Procurou avidamente
E avidamente beijou
A minha boca de cravo
Que a beijar se recusou.
Procurou avidamente
E avidamente beijou
A minha boca de cravo
Que a beijar se recusou.
Arrastou-me para ele,
E encostado ao meu hombro
Falou-me de um pagem loiro
Que morrera de saudade
À beira-mar, a cantar…
E encostado ao meu hombro
Falou-me de um pagem loiro
Que morrera de saudade
À beira-mar, a cantar…
Olhei o céu!
Agora, a lua, fugia,
Entre nuvens que tornavam
A linda noite sombria.
Agora, a lua, fugia,
Entre nuvens que tornavam
A linda noite sombria.
Deram-se as bocas num beijo,
Um beijo nervoso e lento…
O homem cede ao desejo
Como a nuvem cede ao vento
Vinha longe a madrugada.
Um beijo nervoso e lento…
O homem cede ao desejo
Como a nuvem cede ao vento
Vinha longe a madrugada.
Por fim,
Largando esse corpo
Que adormecera cansado
E que eu beijara, loucamente,
Sem sentir,
Bebia vinho, perdidamente
Bebia vinha…, até cair.
Largando esse corpo
Que adormecera cansado
E que eu beijara, loucamente,
Sem sentir,
Bebia vinho, perdidamente
Bebia vinha…, até cair.
POR ANTÓNIO BOTTO Editorial Presença 1999
segunda-feira, 5 de março de 2012
de frofundis amamus
Ontemàs onzefumasteum cigarroencontrei-tesentadoficámos para perdertodos os teus eléctricosos meusestavam perdidospor natureza própria.
Andámosdez quilómetrosa péninguém nos viu passarexceptoclaroos porteirosé da natureza das coisasser-se visto pelos porteiros
Olhacomo só tu sabes olhara rua os costumes
O Públicoo vinco das tuas calçasestá cheio de frioe há quatro mil pessoas interessadasnisso
Não faz mal abracem-meos teus olhosde extremo a extremo azuisvai ser assim durante muito tempodecorrerão muitos séculos antes de nós mas não te importes não te importesmuito nós só temos a vercom o presente perfeito corsários de olhos de gato intransponível maravilhados maravilhosos únicos nem pretérito nem futuro tem o estranho verbo nosso Mário Cesariny
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